Ele bem disse que uma flor nasceu no asfalto. Eu nunca acreditei, nem acreditaria, a menos que eu visse a tal flor no asfalto de que tanto ele falava. E ele, continuava a dizer que sim, a fazer alarde de forma silenciosa, como ele tanto sabia fazer. Ninguém o ouvia, era uma pena. Creio que eu era a única, a única a prestar atenção, mas de que adianta prestar atenção sem acreditar? Impossível, incoveniente... Nãã...
Aí eu percebi, que não adiantava ouvir o que ele dizia, realmente não adiantava. E pouco importavam os bondes, os ônibus e os carros. Pouco importava se eu abria a calculadora quando queria o bloco de notas, ou se virava à esquerda quando precisava ir pra direita, ou ainda, se falava "o quê" no lugar de ok... Tudo passaria em branco. Até o "eu te amo" dito como um sussurro, ou o beijo que ao ser dado levava tanto carinho, e quando recebido nem tanto... Nem tanto... Tanto.
O tanto nunca me levou à nada, ouvir o que ele dizia também não. Mas tudo isso me dava muito prazer. Eram coisas inúteis e fúteis, mas eram coisas importantes. Como pode? Como faz?
Eu só sei que um dia procurei a tal flor, e não é que ela estava lá? Desbotada, ainda pouco notada. Mas lá estava, firme, forte, bonita. É. Merecia mais atenção do que levava."Façam completo silêncio, paralisem os negócios!Garanto que uma flor nasceu".
***
Recado bem direcionado: "Te saberia um pouco mais se tivesse mais um dia com você".
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
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Um comentário:
Perfeito esse texto.
Até sem fôlego fiquei.
:)
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